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O Filho Do Dragão – Parte 2: Memórias

 

De volta à suntuosa igreja, o Bispo Leroy conversava com o Padre Maltus:

– Não sou de confiar em meras palavras, Maltus. – disse o bispo. – Confiei cegamente em você ao convocar Vlad III. Mas preciso de melhores argumentos para convencer o papa de que ele foi a melhor escolha na luta de frente contra os turcos.

– Confie em mim, senhor. Se existe alguém que pode fazer o Império Otomano pensar duas vezes antes de seguir em frente, este homem é Vlad. Seus próprios aldeões tremem ao ouvir seu nome e os nobres o temem mais que aos próprios turcos. Ele tortura seu próprio povo sem nenhum sinal de piedade, seja por motivos banais ou relevantes; adultério, roubo, preguiça, medo, velhice, invalidez, lealdade a outros governantes… Mas o que realmente chama a atenção são os seus métodos; escalpo, esfolamento, mutilações, castrações, estripações e seu método favorito e mais utilizado: empalamento.

– Nunca ouvi falar de tal insensatez.

– A vítima é colocada de costas em uma imensa estaca vertical e ela escorrega lenta e dolorosamente enquanto sangra até a morte. Costuma-se demorar horas até que a vida deixe o corpo de um empalado.

– Interessante! – observou o bispo. – Mas e quanto aos métodos de batalha, ele pode mesmo conter os turcos?

– Ele conhece os turcos, passou anos como cativo de Murad II, pai do atual sultão Mehmed II. E senhor, ele já está em problemas com os turcos, há 3 anos ele não paga a Jizya, um tributo que os povos conquistados pagam ao sultão. A impaciência do sultão está crescendo, o conflito é iminente.

– Está bem. – suspirou o bispo. – Eu vou ter com vossa santidade, voltarei em algumas semanas. Até lá, quero que você acompanhe de perto o príncipe de Wallachia.

 

Vlad saira da capital wallachiana Targoviste com seu contingente que beirava trinta mil homens, em sua maioria camponeses, instigados pela fúria de seu líder contra os invasores, imbuídos de coragem e determinados a morrer para proteger sua terra. Os nobre fiéis a Drácula eram poucos, eles seguiam trajando cotas de malha e empunhando coragem, adagas, espadas e lanças. E para completar tão excêntrico exército, simpatizados pela causa de Vlad III, seguiam os ciganos e mercenários de diferentes países, que agregaram-se fielmente à única esperança de manter seus costumes e vida nômade.

Rumaram ao Sul, em direção ao Rio Danúbio, próximo às terras búlgaras, já conquistadas em sua maioria pelos turcos. Montaram acampamento ao topo de uma colina, de onde tinha-se boa visão das planícies pouco arborizadas ao longe. Era noite e o vento soprava frio vindo do leste.

O próprio Vlad inspecionou três vezes as fortificações, fez alguns acertos em cercas e lanças, gritou com alguns ociosos e espancou um guarda que cochilava. Até que ouviu da chegada de seus batedores que percorreram terras além do Danúbio. Eles traziam um prisioneiro, um batedor turco.

Drácula pareceu ter se divertido ao ver o jovem cativo e foi rapidamente até seu encontro. Amarram-no a uma estaca vertical enquanto ele berrava uma miríade de palavras e lutava inutilmente tentando se desvencilhar das amarras.

Vlad, que vivera seis anos como cativo de Murad II, aprendera a língua dos turcos. Ele ouve o jovem pedir por clemência e dizer que tem filhos. Mas tal frase parece enfurecer ainda mais o soberano de Wallachia, que segura fortemente o rosto do prisioneiro e a bate conta a madeira.

– Sabe quantos pais seu império já matou? – bradou Vlad. – Quantas famílias já não foram separadas por sua sede de poder? Vocês invadem nossas terras, matam nossos povos, torturam, escravizam…Agora sinta as conseqüências!

– Alá é grandioso, tudo que fazemos é para mostrara aos infiéis o verdadeiro caminho!

– O único caminho que eu quero conhecer agora é o que as tropas de seu povo estão traçando.

– Eu n-não sei, s-senhor! Eu não sei!

– Algo me diz que você sabe! – disse Vlad tirando de sua cintura uma adaga fina e comprida. Ele agarra a mão do prisioneiro e introduz a ponta da lâmina abaixo da unha do turco, enquanto diz:

– Me diga! Por onde estão passando suas tropas!

A tortura não durou muito ante a dor insuportável afligida ao prisioneiro, ele logo deu as coordenadas entre prantos e balbucias. Drácula limpou a adaga nas roupas do cativo e a guardou novamente, se sentou em um tronco de frente ao jovem e ordenou a seus homens:

– Empalem-no!

Enquanto Vlad apreciava o espetáculo, sua mente viajava até a Turquia, quando ele com 11 anos e seu irmão Radu, com 7, adentravam pela primeira vez no palácio do Sultão Murad II.

Radu apenas chorava cabisbaixo, enquanto Vlad se debatia e esperneava ao ser carregado por dois guardas. Mais alguns guardas precisaram segurar e até mesmo bater no garoto para que ele sossegasse na presença do sultão.

– Sejam bem vindos! – dizia Murad II enquanto um de seus súditos traduzia para o romeno. – Você serão agora como meus filhos. Viveram na riqueza e prosperidade aqui. Tudo o que tem a fazer é aceitar Alá em seus corações e estudar o livro sagrado.

Ao ver que a criança mais jovem apenas chorava e a mais velha somente gritava, Murad se levantou e acariciou a cabeça de Radu, guiando-o pelo ombro até outro aposento enquanto dava a seguinte ordem:

– Joguem o outro no calabouço, quando ele se acalmar, conversarei com ele. E quando ele aprender a se comportar, doutrinaremos seu espírito.

– Radu! – gritava Vlad sendo arrastado. – Não vá com ele! Radu!

O desespero de Vlad aumentou ao ver que o irmão seguia submisso, cabisbaixo, sem ao menos olhar para trás. Ele não parava de gritar, mesmo quando fora jogado em uma sala com porta sólida e sem nenhuma janela. Ali no escuro, ele passou muitas horas, até que deixou seu corpo exausto cair sobre o chão de pedra. Ali ele esqueceu quem ele era, ali, naquela sala escura, alguma coisa negra e maléfica cresceu no peito do jovem Vlad III.

 

Continua…

O Filho do Dragão

Prefácio

Drácula é certamente um dos meus personagens favoritos, seja o mito, o personagem de filmes ou o homem, cuja personalidade fora forjada de forma tão brutal. É um personagem enigmático, envolto em superstições, misticismo e sobrenaturalidade. Este conto foi inspirado no livro do escritor irlandês Bram Stoker (1847 – 1912) e no filme de 1992 de Francis Ford Coppola. No início do filme, Coppola introduz um romance entre Drácula e Elizabeta, que termina de forma trágica. A seguinte história é inspirada na introdução do filme e em fatos históricos, pesquisados em diversos sites.

 Antes de ler o texto, você deve saber de algumas coisinhas:

Personagens: o nome verdadeiro de Drácula era Vlad III, ele foi filho de Vlad II, conhecido como Dracul (Dragão em Romeno) em referência a uma sociedade católica muita restrita da qual participava; A Ordem do Dragão.  Quando Vlad III assumiu o torno se seu pai, assumiu o nome de Dracula, que significa “filho do dragão”.

Tempo e Local: Drácula viveu entre 1431 e 1476 em Wallachia, uma região da Romênia, a leste da Transilvânia, ao Norte do Rio Danúbio a ao Sul da Carpátia (também conhecida como Alpes Romenos). Constantinopla havia caído e  pertencia então ao Império Otomano (dos turcos) que agora avançava para o norte, conquistando boa parte de Bulgária e seguindo em direção à Romênia, especialmente pela Wallachia, que também era constantemente atacada pelos húngaros.

Em hachura os domínios do Império Otomano

O Império Otomano: Um extenso e duradouro império que surgiu em 1299, após o enfraquecimento do Império Romano, com o qual guerreou por 150 anos. Este império se expandiu pelos continentes africano e europeu e disseminou a cultura islâmica, contrastando a então absoluta cultura cristã. Este império visava se expandir sem destruir os povos conquistados, mas sim convertê-los e obter destes fundos para financiar mais expansões. Conseguiu feitos incríveis como a tomada de Anatólia e de Constantinopla. A história se passa durante o sultanato de Mehmed II.

Sobre Vampiros: Preste muita atenção, eu nunca vi um vampiro na vida real, tampouco encontrei alguém que tenha visto um vampiro de verdade, então abra sua mente para diferenças entre superstições sobre os vampiros. Diversos povos antigos tinham mitos sobre mortos-vivos que retornavam das covas para beber sangue dos mortos, então adaptei os vampiros do jeito que eu achei melhor, isto não é Vampiro: A Máscara® ou qualquer outro livro da White Wolf®.

 Espero que goste.

Roger Willian, vulgo NightWatch.

Capítulo 1: Promessas

Em uma igreja Católica, um bispo conversando a sós com um padre em uma sala grandiosa e rica. Um membro do clero menor bate à porta e abre-a vacilante:

- S-senhor…e-ele está aqui.

O bispo entediado com a hesitação do acólito apenas acena com a mão para que ele escolte o visitante. O rapaz franzino se esforça para abrir as pesadas portas até que mãos impacientes empurram as folhas de metal fazendo o jovem tropeçar em si mesmo e cair embaraçosamente de costas no chão.

Adentrava agora ao salão um homem trajado com roupas militares vermelho-sangue, seu bigode lhe proporcionava força a seu rosto fino e jovem. Ele disse com certa arrogância:

- Com que propósito vocês me convocaram?

- Vlad III, príncipe de Wallachia, nós temos uma missão para você. Precisamos de sua força e sabedoria para expulsar o lixo que veio do deserto corromper nossas terras com suas mentiras e maldades.

Ouvindo isso, o nobre cuspiu raivosamente, parecendo não se importar estar pisando em solo sagrado. O jovem acólito se benze e os dois membros superiores lutam para esconder seu descontentamento.

- Eu odeio aqueles malditos mais do que tudo, me dê dinheiro para reunir homens e armamento que eu irei varrer aquela raça da face da terra.

- Que assim seja, filho do dragão. Que Deus e nosso senhor Jesus Cristo o abençoem em sua sagrada missão.

O guerreiro apenas vira as costas e deixa o recinto.

- Você tem certeza que ele conseguirá expulsá-los? – perguntou o bispo após Vlad fechar a porta atrás de si.

- Ele implantará tanto medo no coração dos turcos que eles se enterrarão nas areias de seu deserto.

No caminho de volta para o castelo, memórias de infância invadem os pensamentos de Vlad, reminiscências de seus onze anos de idade, quando os turcos atacavam as terras de seu pai pelo Sul e as forças Húngaras se aproveitavam de qualquer descuido nas fronteiras ao Norte. Constantes ataques enfraqueceram as tropas de Vlad II, compelindo-o a fazer um trato com o sultão. Fato este que lhe causava imenso pesar e, claro, muitas peças de ouro que pagava na forma de tributo aos turcos.

Um certo dia, Vlad III andava pelos salões do castelo quando percebeu um sutil burburinho no recinto. Os serviçais tentavam esconder sua inquietação e curiosidade. Misturando–se a estes, o jovem príncipe desceu as escadarias destinadas somente ao trânsito de escravos e seus serviços. Se escondeu debaixo de uma mesa e de lá pode divisar dois mensageiros turcos, com suas roupas de amarelo dourado e turbantes enfeitados, seguidos de guerreiros portando cimitarras e arcos.

– O sultão Mehmed II, em sua grandeza e bondade – disse um dos mensageiros ao governante. – deseja que o senhor lhe dê uma prova de sua fidelidade ao império do qual agora faz parte.

– Mais provas além do dinheiro que pago de bom grado?! – esbravejou Vlad II.

– O sultão entende que moedas de ouro são triviais, a palavra de um homem vale mais do que qualquer tesouro no mundo.

– Então o que ele deseja?

– Seus dois filhos, para que sejam criados e educados sob os ensinamentos do islamismo.

– O quê?! – esbravejou Dracul se levantando com o punho em riste. – Perderam o juízo?

– O sultão exige que voltemos ainda hoje com as duas crianças, meu senhor. – disse o outro mensageiro, tentando acalmar o nobre.

De seu esconderijo, Vlad III pôde ver os olhos vermelhos e desesperados de seu pai. Seus próprios olhos não podiam mais segurar as lágrimas. Seria mandado para longe de sua terra e de seu povo, para um local desconhecido e de costumes estranhos aos seus. Seria uma marionete, um escravo em roupas pomposas, preso nos modos dos turcos que aprendera odiar desde tão cedo.

Neste momento seus pensamentos foram entrecortados pelos sons das trombetas que anunciavam sua chegada até o castelo que fora de seu pai. Fora recebido pelos seus servos e adentrara o salão real, e lá estava sua amada, Elizabeta, linda como um raio de sol, sua pele clara e rosto delicado, lhe concediam uma pureza que contrastava com tudo ali. Suas mãos delicadas foram rapidamente de encontro ao rosto preocupado de Vlad.

– O que lhe preocupa, meu amado? O que queriam os homens do clero?

Vlad não conseguiu responder de pronto, virou-se de costas desvencilhando-se do toque da jovem:

– A oportunidade de rechaçar o inimigo de nossas terras chegou, Elizabeta.  – murmurou ele com a voz séria e o olhar distante. – A minha tão esperada vingança agora me é oferecida em uma bandeja de prata.

– Mas o nosso casamento… – disse preocupada. – Deixe a guerra para outro nobre, fique comigo.

– Não sejais egoísta! – esbravejou o conde com uma fúria que surpreendera a si mesmo. – Após cumprir a promessa que fiz a mim mesmo e a meu pai e quando esta terra pertencer a seu povo de direito, então poderemos casar e ser felizes.

– Então prometa que ficaremos juntos, não importa o que aconteça.

– Eu prometo. – disse segurando as mãos de Elizabeta.

Alguns dias se passaram enquanto Vlad reunia suas forças e esperava os provimentos enviados pela igreja católica, Vlad se lembrava do dia em que foi levado pelos turcos e se lembrava das últimas palavras que ouvira da boca de seu progenitor: “Seja forte filho, não ceda às vontades e costumes destes animais. Aprenda com eles e destrua-os por dentro, seja como a peste para o corpo do império otomano. Lembre-se que és filho de Vlad Dracul.”

Foi com estas palavras em mente que Vlad vestiu sua armadura escarlate com formas que lembravam a musculatura de uma criatura sem pele. Foi com este fervor que brandiu sua espada e proclamou sob os portões de seu castelo:

– Povo de Wallachia, parto agora com estes bravos homens para expulsar os mouros de nossas terras, eu sou filho do grande Vlad Dracul, que abdicou de tanto em nome de todos vocês, que enviou seus próprios filhos ao covil do inimigo para proteger sua terra, sabendo que um dia nós nos ergueríamos contra este tirano. Ainda vivem em minha memória os terrores que vivi naquelas terras e agora estou pronto para me vingar. Eu sou Drácula!

Continua…

Graal

Dicas de livros do Daurus – Trilogia do Graal.

Eu sou um adicto em leitura. Isto posto vou dar algumas dicas de leitura para todos.

Hoje vou indicar uma obra do Bernard Cornwell que eu particularmente acho incrível, prende a atenção do começo ao fim, uma obra prima.

É a Trilogia do Graal, que conta a historia de um filho de um padre que se envolve numa grande saga durante a Guerra dos 100 anos. Não vou falar muito mais para não estragar o enredo da história.

Li os livros 3 vezes e quero ler mais uma, só não o fiz ainda pois os livros estão emprestados.

Como não poderia deixar de ser, estou colocando um link para o Submarino onde os 3 volumes estão em promoção.

 

Veja a oferta aqui.

Nada

Não temos nada.

Não sabemos nada.

Não vemos nada.

Não sentimos nada.

 

O vazio, o nada, sem emoção, sem vontade, sem…

 

Sem…

Sem…

 

Vazio, escuridão ou luz absoluta.

 

Assim é a morte. Sem nada, nem medo.

O Assassino de aluguel

A rua estava escura devido à chuva torrencial naquela madrugada.  Seu sobretudo e seu chapéu estavam totalmente encharcados devido a grande espera. O relógio marca 02:00 e nem sinal de seu cliente. Apenas a chuva e o vento são seus companheiros.

Nunca em tanto tempo de trabalho, ele demorou tanto para fazer seu serviço. Fazia naquele mesmo dia 25 anos que praticava a mesma e ingrata profissão. Sem perceber nada a sua volta ele encosta a cabeça na parede do prédio em que se escorou a mais de 1 hora.

A casa do seu cliente era um apartamento luxuoso no segundo andar de um dos mais novos prédios da cidade. Ninguém sabia que o morador do segundo andar era tão influente para o submundo da cidade. Só sabiam que a figura publica, um vereador dos mais assíduos da câmara havia se mudado para o apartamento e saído de sua casa na periferia da cidade.

O medo do vereador era o único motivo de ter se mudado para o centro da cidade, ele sabia que iriam tentar mata-lo após a denúncia que derrubara todos os figurões da cidade, dando a ele próprio o controle dos jogos ilegais de toda a região. Mudou-se logo após a denuncia e agora andava com 4 seguranças a paisana para que ninguém chegasse perto.

Um carro virou a esquina. Um Cupê preto muito bem cuidado entrou em direção ao prédio, descendo pela garagem enquanto o porteiro identificava os ocupantes. Ele pegou um pacote de dentro do sobretudo e entrou no prédio pela portaria. Cumprimentou o porteiro e subiu as escadas. Pegou uma chave, entrou no apartamento do terceiro andar e foi diretamente para o quarto. Sentou-se na cama, abriu o pacote que continha uma pequena lata apenas. Olhou em volta procurando algo no chão. Fixou o olhar na grade do ar-condicionado central do prédio e abaixou para verificar.

Quatro parafusos prendiam a grade com o filtro do ar. Ele tirou os parafusos, inseriu a lata com um pequeno relógio dentro, marcando o horário das 05:30. Colocou a grade novamente e tampou a entrada de ar. Tirou sua roupa molhada e deitou na cama. Acordou após mais ou menos uma hora de sono, retirou do armário uma roupa seca, um novo sobretudo e outro chapéu. Saindo assim que terminou de se vestir. Deixou a chave na portaria com instruções para lavagem da roupa.

As 05:30 o barulho da lata soltando alguma substancia no ar foi imperceptível. O gás se alastrou por todos os andares do prédio, e foi levado a alguns cômodos comuns como a garagem. Ninguém se deu conta que inspirou um gás  diferente da combinação normal do ar, assim o dia inteiro seguiu.

Ninguém apareceu no terceiro andar do prédio durante três dias. Quando voltou, ele encontrou suas roupas lavadas em cima da cama e uma encomenda. Pegou a caixa e colocou numa mala juntamente com as roupas lavadas. Retirou a grade do ar-condicionado, pegou a lata com uma sacola plástica e recolocou a grade. Jogou a sacola fechada na mala e saiu com seus pertences.

Não foi mais visto naquele prédio. Sua encomenda só foi aberta num pequeno apartamento de hotel, onde pode contar as notas que estavam dentro a caixa. O vereador havia morrido um dia antes dele voltar ao prédio de uma doença ainda não identificada, Assim como quase todos os moradores e funcionários do mesmo prédio. A policia estava investigando a causa e acreditavam ser alguma impureza na agua do prédio.

 

Quer continuar esta história? Quer definir melhor o personagem? Entre em contato conosco e envie seu texto!

Livros, a internet e o RPG

Nos últimos meses fiquei pensando no meu post sobre a Promoção sangue novo da Devir. Assim, estou aqui mais uma vez para falar sobre um tema delicado. A famigerada pirataria.

Sim meus amigos, a pirataria de nossos “amados” livros. Hoje vivemos num mundo globalizado e todos os livros (ou quase) estão na internet em formato eletrônico. Sei disso pois já fiz vários downloads de livros sem tradução no Brasil.

Contudo eu sinceramente não gosto da pirataria de livros. Sendo o mundo perfeito, aquele em que todos nós termos acesso aos livros em nossa língua nativa por um preço justo.

Posso dar o exemplo do livro Old Dragon em PDF, pelo qual realmente procurei para download, mas não obtive sucesso. Tive que esperar um tempo ainda para a compra do OldDragon em pdf oficialmente pela sua editora. Sendo que o OldDragon é na minha opinião um RPG bem-sucedido no mercado brasileiro, a sua “não-pirataria” é não só uma surpresa como uma evolução do mercado editorial. Por outro lado, temos os grandes manuais da Devir aos montes para Download.

Então venho propor não só a Devir, mas como a todas as editoras, uma quebra de paradigma com relação aos seus acervos. Disponibilizem para venda seus arquivos eletrônicos (PDF, epub, kindle, etc.) por um valor justo e acessível, não o valor impraticável que temos hoje.

De maneira nenhuma eu acho que isso irá quebrar o mercado de livros no Brasil, acredito que o mercado va sim ter uma grande valorização. Mas por que isso gordinho?!

Respondo! Eu comprei um livro eletrônico. Gostei do que li e quero guarda-lo, eu compraria este livro sem nenhum problema. Ainda mais se o livro tivesse uma edição especial ou com capa dura. Sem ter os (pra mim) inconvenientes do eletrônico, como a necessidade de um equipamento para ler, a luminosidade do LCD ou ainda a necessidade de energia elétrica para carregar a bateria do gadget.

Assim como o disco de vinil não morreu na era do MP3 e do CD/DVD, os livros dificilmente irão morrer, pois não precisam de nenhum equipamento, podem ser lidos durante o dia e sua qualidade é inegavelmente acima da média.

Espero que gostem das minhas opiniões. Comentem e sejam felizes. Leiam, joguem, mestrem e principalmente divulguem nosso Hobby.

Entrevista com Mr. Pop

Ola pessoas!!!

Venho com imenso prazer divulgar a entrevista feita com o Mr. POP. Ou Antonio Sá, da Red Box Editora.

Segue a seguir o papo que tive com ele, que se mostrou uma pessoa muito gente boa, muito prestativo e sempre empenhado em sanar todas as duvidas. Leiam, curtam, comentem e logo o blog tem mais uma promoção em conjunto com a Red Box.

Espero que gostem.

Daurus: Antonio, como veio a ideia de montar a editora? Somente do sucesso do OldDragon?

Antonio: Necessidade também. Algumas coisas “do mundo” dos adultos só uma empresa é capaz de fazer. Contrato com correios, condições de faturamento melhores das gráficas, emissão de notas fiscais para revendas e distribuidores e etc. Isso só é possível ou é mais facilmente conseguido no caso de se ter um CNPJ.

 

Daurus: Entendo. Percebi que vocês estão trabalhando muito para dar certo. Lançaram toda uma linha para “auxiliar” o OldDragon. Irão lançar mais alguma coisa para OldDragon? Por exemplo, aventuras introdutórias?

Antonio: Sim. Estamos prevendo pra outubro ou novembro uma aventura introdutória baseada numa aventura clássica do AD&D 1e. Estamos fazendo algo que os veteranos reconhecerão, mas que será de muita ajuda aos novatos. Principalmente aqueles que nunca jogaram RPG na vida.

 

Daurus: Muito legal! E como é estar com o OldDragon de casa nova? Como foi o processo de “Hobby” para “profissional”? Lembrando que você está sendo profissional muito antes da empresa.

Antonio: Foi mais tranquilo do que nós realmente pensávamos. Na verdade só precisamos fazer uns poucos ajustes, algumas coisas ganharam um ar mais formal, coisas tiveram de ser colocadas em contrato, outras tiveram de ser deixadas de lado. Mas no geral aumentou a responsabilidade, o trabalho e o pior de tudo, os custos.

 

Daurus: O OldDragon é em sua essência um RPG indie e OldSchool. A RedBox irá lançar outros RPGs no mesmo estilo? Autores podem enviar RPGs para a RedBox?

Antonio: Sim. Não temos um campo restrito de atuação. O que for aparecendo, sendo legal e obviamente tendo apelo comercial é um produto em potencial. No entanto temos uns pequenos detalhes a acertar. É até bom que vc pergunte já que podemos explicar do por que disso:

Todo material enviado pra RB deve respeitar 3 ressalvas:

1 – Ele já deve estar terminado. De nada adianta mandar os dois primeiros capítulos do seu futuro livro. Não dá pra avaliar se o produto é legal com um material que não está terminado.

2 –  Pré-revisado. O material precisa passar por uma pré-revisão do autor. É aí que ele analisará trechos a excluir, outros a substituir e principalmente erros comuns de digitação e português.

E a mais importante de todas.

3 – Por uma questão de segurança jurídica da Editora e principalmente dos autores, só avaliamos originais enviados com cópia da averbação do registro na biblioteca nacional. Nem todo mundo entende o porque dessa última exigência, mas é muito mais por segurança de quem envia um original do que pra gente.

Por exemplo: Amanhã ou depois você lê um livro nosso e acha uma passagem parecida com algo que nos enviou 5 anos atrás e até que nós consigamos provar que em briga de saci todo chute é uma voadora.

Daurus: Isso é maravilhoso! Muito bom mesmo. Essa iniciativa é ótima!

Daurus: Agora, a arte do OldDragon. Ela foi pensada para parecer com o AD&D publicado pela Abril? Pois eu tive a impressão que a ilustração da capa lembra muito a capa do antigo AD&D.

Antonio: Foi e não foi. A Parte da arte do OD foi pensada em conjunto com o projeto gráfico do livro e o papel que queríamos usar no livro. Uma coisa que nós queríamos evitar era aquele traço estilo “lápis HB” acinzentado, sem arte final, com rabiscos soltos. Como iríamos usar um papel mais encorpado e brilhoso as cores chapadas em preto e branco deveriam ser a regra. Selecionamos o traço que mais se adequava ao estilo OldSchool, evitando que ficasse “bom” ou “ruim” demais e que não fosse datado nem tivesse uma cara moderna.

Pra parte gráfica fechar com o que queríamos pra experiência de folhear o livro. A parte da capa representa isso muito bem. O traço do Diego Madia trás um grupo clássico de rpg, mas você não vê elementos modernos no desenho. Não há armaduras com espinhos, espadas com tamanho desproporcional ou mesmo um ângulo que simule movimento. O plano é reto, baixo, próximo e a colorização do Daniel foi pensada pra dar um ar de dificuldade. Os personagens estão sujos, com ar de cansado, respingados de sangue. É essa a premissa que tentamos imprimir na ilustração da capa e ao menos pelo que recebemos de feedback, conseguimos.

Daurus: Vocês tiveram e tem um trabalho muito grande pra agradar ao OldSchool e a todos os novos jogadores. Isso é uma iniciativa muito boa em comparação ao mercado brasileiro de RPG hoje.

Antonio: São nossos investidores né. Eles é que alimentam a cadeia.

 

Daurus: Mas agora, tratar os jogos como OldSchool não é deixar o seu RPG como um RPG para os “velhos” ou para os “contra as novas edições”?

Antonio: Depende muito de quem joga. Nós temos recebido contato de jogadores iniciantes que passam ao largo dessa confusão toda. Por uma razão ou por outra, as pessoas se sentem atraídas por este “modo” de jogar RPG. Os mais antigos se recordarão de bons momentos e os mais novos que não tiveram a oportunidade de saber como era, se movem pela curiosidade ou por que gostam dos relatos ou dos reviews. O Movimento OSR é anacrônico em sua essência, não há idade pra praticá-lo nem é verdade dizer que um jogador na casa dos 30 aproveitará mais que um jogador na casa dos 15.

Daurus: Entendi. Esta é uma discussão muito intensa nos últimos tempos.

Antonio: E chata, hehehe.

Daurus: Agora mais uma curiosidade? O nome da editora “RedBox” é mais uma referencia ao antigo D&D?

Antonio: Sim. Além de ser um nome com ligação ao RPG, foi por onde eu comecei a jogar RPG nos anos 80. Ele representa algo OldSchool, mas é genérico o suficiente pra não parecer algo restrito ao OldSchool.

 

Daurus: Gostei! E por falar em caixa, o OldDragon irá ter uma nova caixa para quem perdeu a primeira leva de caixas?

Antonio: Não. Aquela caixa passou. Foi um produto exclusivo, feito somente pros 50 felizardos. Agora é certo que novas caixas aparecerão. E sempre em edições limitadas. Mas nunca como a primeira.

 

Daurus: A questão das caixas será sempre para colecionadores então?

Antonio: Sim. Não dá pra dar certeza numa palavra “sempre”. Mas o normal é que para um produto onde a caixa se encaixe, é que tenhamos uma tiragem limitada em caixas e o grosso dos produtos vendidos fora de caixas.

 

Daurus: Agora, quais são os planos da RedBox e do OldDragon para o futuro?

Antonio: Expandir a linha e expandir as linhas. Além do OD queremos agregar outros produtos ao portfolio da Editora. Começar a publicar literatura nacional também.

 

Daurus: Que bom! Já tem algum contrato encaminhado que possa nos contar?

Antonio: O SpaceDragon. Já contatamos o autor, definimos o formato do produto e ele já se encontra em desenvolvimento. O restante ainda é sigiloso.

 

Daurus: Perfeito! Mas o que se trata o SpaceDragon? Imagino que o nome diga muita coisa!

Antonio: E diz…  heheh

É uma adaptação do OldDragon para jogos espaciais com uma roupagem retrô anos 50. Uma pegada bem Buck Rogers, Space Ghost.

Daurus: Planeta 51 feelings.

Antonio: Isso. Aquela coisa Pulp, pinapesca. vilões verdes, naves charuto, cientistas com cérebros enormes!

 

Daurus: Isso já me deu varias ideias! agora só falta o SpaceDragon e os jogadores! O SpaceDragon será um livro para se usar junto com o “básico” do OldDragon? Ou ele terá suas próprias regras e ambientação?

Antonio: Será um produto independente. Quem comprar o livro básico do SD não precisará do OD pra jogar.

 

Daurus: Muito bom também! E o OD, terá um livro de “Níveis Épicos”?

Antonio: Num futuro quem sabe? Mas não será um livro de níveis Épicos, será um Livro de Imortais!

Daurus: Imortais? Vampiros? Zumbis?

Antonio: Não, não. Nos anos 80 o D&D foi dividido em cinco caixas com cores diferentes. Uma delas tratava de personagens épicos tinha o nome de “Immortals rules”. Justamente por que os Personagens épicos não eram super-aventureiros, eram praticamente semideuses mesmo. Algo como Hércules encontra D&D.

Daurus: Nossa!

Antonio: Se um dia lançarmos um suplemento sobre personagens extra poderosos, esta será a pegada que usaremos.

 

Daurus: Então a caixa lançada pela Grow foi apenas “uma” das varias lançadas la fora?

Antonio: Não. Eram cinco caixas, todas elas cobrindo a evolução do PJ, conhecidos como sets. Vermelha, azul, azul escuro, preto e dourado. A compilação de todas estas caixas dá origem à rules cyclopedia. Um dos melhores manuais de AD&D já lançado. A caixa que a Grow trouxe pro brasil é chamada de “Classic D&D” que é uma versão simplificada desta “Rules Cyclopedia”.

 

Daurus: Você comentou pelo Twitter que a Redbox faz reciclagem dos materiais. Como é este processo? Ficou mais fácil por ser uma empresa nova? Ou ainda tem culturas a serem mudadas?

Antonio: a Redbox faz reciclagem de 100% do seu lixo por que onde eu trabalho 100% do lixo é reciclado.

O preço dos livros brasileiros

Nesses últimos tempos eu estou com a pulga atrás da orelha. Sério mesmo, eu estou ficando maluco com algumas disparidades que eu vejo. Às vezes eu acho que o povo brasileiro não sabe a maravilha que tem nas mãos e só sabem reclamar.

Esse final de semana eu parei pra pensar num assunto que varias pessoas falam comigo e eu nunca dei nenhuma opinião. O preço dos livros no Brasil. São caros mesmo, como todo mundo fala? Ou é apenas uma ilusão isso no Brasil?

Em primeiríssimo lugar, vamos a um fato que poucas pessoas devem ter se atentado: cultura. No Brasil, nós temos uma cultura de que livros são um bem durável. E são. Aqui no Brasil, os livros são feitos de uma maneira mais “durável”.

Mas ai vocês perguntam: “Mas gordinho, como assim? No resto do planeta não funciona assim?”

A resposta é: mais ou menos.

Fora do Brasil, pegando o exemplo dos Estados Unidos, nós temos vários tipos de impressão de livros, que até onde eu sei, no Brasil nunca “pegou”. Por exemplo, as modalidades mais vendidas nas terras do tio Sam são:

Hardcover: Como o próprio nome diz, é a impressão em capa dura.

PaperBack: Impressão em “papel jornal”, parecido com os livros “pocket” que temos aqui no Brasil.

Zanzando pelo site da Amazon, eu verifiquei que os livros nessas categorias têm grandes diferenças de preço. Vou pegar como exemplo o livro “Agincourt” do autor inglês Bernard Cornwell.

Temos um livro que se fizermos a conversão ele sai para o Brasil (sem contar nenhum tipo de frete):

HardCover: R$ 32,00.

Paperback: R$ 18,00.

Logo pensamos, nossa, mas como é barato livro nos EUA. Eu até concordo, mas ainda temos que colocar o valor do frete desse livro para o Brasil.

Agora vamos voltar ao nosso querido país. Aqui nós temos o mesmo livro por R$ 49,90 no site da Fnac. Nossa que diferença de preço não? Sinceramente eu não acho. Vou explicar os 3 pontos do porque eu não acho tão caro.

1 – Tradução: Livros nos EUA não precisam ser traduzidos quando o autor é americano ou inglês. Logo, o livro sai minimamente mais em conta pelo tradutor não existir.

2 – Tipo de papel: O papel utilizado para impressão no Brasil é infinitamente melhor que o papel utilizado nos EUA. O papel utilizado no Brasil é outro, de qualidade muito maior que o utilizado nos EUA.

3 – Arte do livro: O trabalho de editoração e de capa dos livros no Brasil é infinitamente melhor que nos EUA. Vou pegar como exemplo o próprio livro Agincourt ou Azincourt no Brasil. Vejam e me falem qual é melhor.

 

Algumas das considerações a se fazer também é que eu não contei os custos com a franquia ou de direitos autorais, pois estou contando que tudo isso é pago em qualquer país.

Livros no Brasil, não são caros. Pois mesmo os livros “pocket” o tipo do papel usado no Brasil é melhor que o utilizado nos EUA.

Sim pessoas, querendo ou não, eu estou defendendo os editores brasileiros, pois estou vendo com “ótica” de um cara acostumado a comprar os livros brasileiros, com a qualidade magistral executada aqui na maior parte das editoras.

Ainda acredito que nossa mentalidade possa mudar, inclusive para livros mais baratos e com os e-books, a tendência é ser muito mais barato o material de leitura. Pois hoje os e-books estão com preços absurdos no Brasil.

Agora, vamos comparar os preços numa categoria exatamente igual. Os livros de RPG:

Pegarei como exemplo, o livro “Antagonistas” publicado originalmente pela White-Wolf e no Brasil pela Devir.

O livro é em capa dura envernizada, papel de alta qualidade e brilhante, muitas ilustrações e tabelas. Uma diagramação muito boa. Os livros são realmente bem parecidos nas duas versões. Agora vamos aos comparativos dos números:

Antagonists (White-Wolf Store): U$ 24,99. Convertendo para reais, o livro sai por apenas: R$ 43,00 sem nenhum tipo de frete.

Antagonistas (Moonshadows RPG): R$ 43,11 sem nenhum tipo de frete.

O preço é exatamente igual. Sem nenhum frete calculado o preço dos livros é muito próximo. Mesmo com os custos de franquia, tradução e distribuição o livro em português é equivalente ao livro gringo.

Queridos leitores, gostaria das opiniões sobre este assunto, pois existem muitas pessoas que falam abertamente que os livros no Brasil são caros, que se deve abaixar o preço, etc. Ninguém vê ou entende que os preços no Brasil são competitivos com os EUA, pois nossa cultura é diferente. Eu aposto que se os livros forem lançados no Brasil com papel jornal, o livro será muito mais barato, como falado acima.

Leiam, comentem e sejam felizes!