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Silêncio

Assim como tudo em sua vida, ele parou e escutou. Tentou sentir a vida em suas veias. Num silencio sepulcral dentro do quarto. Nada ouvia, nada via nem tampouco sentia.

O quarto com paredes brancas, a cama mal feita, os armários embutidos mas já sentindo a ação do tempo assim como o criado-mudo com seu abajur velho e suas incontáveis marcas de copos. Estava sentado na poltrona, olhando pela janela assim como fazia todas as noites.

Mas hoje era diferente, ele sentia uma serenidade sentado em sua poltrona reclinável de couro marrom. O som do pequeno mini-system na sala não era percebido, ou simplesmente ignorado. Seus olhos viam a janela, o movimento lá embaixo na rua, mas não registrava os acontecimentos.

Tudo em que ele consegue pensar é nos atos que cometeu hoje, apenas algumas horas antes. Sem nem mesmo pensar ele bebe o resto do copo. Sente o desconfortável descer da bebida forte em sua garganta, mas não se preocupa com isso.

Qual o próximo passo? Já havia perdido a companheira de tantos anos. Queria descansar neste dia, mas hoje não pode, não pode dar essa felicidade a eles. Eles venceriam a guerra. Levanta. Colocou o sobretudo velho e puído, o velho chapéu e saiu.

Foi se alimentar, não pode mais aguentar a fome, sem saber o que deve fazer ele passa por varias praças, mas hoje não quer casais, quer ser feliz, eufórico. Entra no primeiro barzinho onde encontra jovens homens e mulheres se divertindo. Já se sente revigorado apenas com a vibração do lugar.

Principes, princesas, sereias….

Quem me conhece sabe como sou louca por Disney. Na verdade sou louca por conto de fadas (conto de fadas não é D&D). Dentre todos os contos de fada, o que eu mais gosto e me identifico desde a primeira vez é A Pequena Sereia (The Little Mermaid). Por razões diversas… Adoro praia, sou louca por sereias, ela é cantora, uma bruxa quer roubar sua voz  (no meu caso a bruxa é a laringite) e tem um príncipe encantado para a vida inteira (será!?!?!)
A pequena sereia é um conto de 1837 do escritor e poeta dinamarquês Hans Christan Andersen. Den lille havfrue, seu título original, fala sobre uma sereia que tinha o sonho de conhecer o mundo além mar. Ao completar 15 anos ela pode ir à superfície e ficou deslumbrada. Durante sua viagem, conheceu um príncipe caiu ao mar após seu navio ter naufragado após uma tempestade. E daí segue o conto passando pela bruxa e por suas desventuras no castelo. Porém, diferentemente da adaptação Disney, o príncipe casa-se com uma outra princesa e não reconhece sua salvadora. As irmãs da sereia, com pena, conseguem arrancar da feiticeira uma maneira de reverter a situação em que se encontrava. Ela deveria com uma faca enfeitiçada, matar o príncipe. Ao chegar no quarto, o casal estava dormindo abraçado e por amor a pequena sereia resolveu jogar-se ao mar e à morte (pois caso não casasse com o príncipe, morreria com o nascer do sol do dia seguinte), ela então virou espuma.
Caso tenha interesse poderá encontrar o conto em inglês clicando aqui.
Em sua época o conto foi tão famoso na Dinamarca, que o sr. Edward Erichsen Carl Jacobsen (Principe Eric???), fundador da tradicional cervejaria Carlsberg, encomendou uma estátua da pequena sereia, que está alocada na cidade de Copenhague.
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A estátua é feita de bronze, e um aviso dado aos turistas que queiram tirar uma boa foto da escultura é que compareçam ao local antes do raiar do sol. Pois o reflexo dos raios solares podem ofuscar a foto. Eis minha querida heroína, de Hans ou Disney, continua sendo a personagem mais intrigante dos contos de fada ou de qualquer história jamais escrita.
Para saber mais:

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The Hans Christian Andersen Center – Estudos sobre a vida e obras do autor (em inglês)
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Contos infantis em português (Portugal)
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Página oficial com informações sobre a escultura. (em inglês)
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Site oficial sobre o filme de (1989)

Devaneios de uma vida

Vejamos nossas vidas

Vazias sem nenhum sentido

Assim como já nos dizia.

A voz que se foi com o vento.

 

Nada queremos ver

Apenas pensamos saber

Da vida sem querer

Vestimos a ignorância do poder

 

Aqui pagamos o preço

A sociedade faz o tempo

Assim pagamos o pato

Problemas se vão ao vento

 

Assim sendo vemos cada um

Com apenas a felicidade

Como arma conta o mundo

E o sorriso é a vitória.

Das vantagens de ser bobo – Clarice Lispector

O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar o mundo. O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: “Estou fazendo. Estou pensando.”
Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia.
O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas. O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver. O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski.
Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era de que o aparelho estava tão estragado que o conserto seria caríssimo: mais valia comprar outro. Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranqüilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu.
Aviso: não confundir bobos com burros. Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: “Até tu, Brutus?”
Bobo não reclama. Em compensação, como exclama!
Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.
O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham a vida. Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem.
Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!
Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas. É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo.

BookLiberator

Ahhhh Nerds!!!

Voces querem digitalizar sua biblioteca?! Todos aqueles livros poeirentos pra ler no seu IPad? Quer diminuir sua estante?

Apresento a vocês o BOOKLIBERTATOR!!! A primeira vista parece mais uma invenção das tabajaras, mas esses nerds foram além! fizeram um esquema pra digitalizar os livros dos nerds.

Uma caixa, que tira uma foto por pagina. Com cameras normais. Achei legal demais. Vejam o Video:

Vi isso no [Gizmodo Brasil e Book Liberator]

Eternidade

Andando em meio as luzes da cidade, sem nada na cabeça. Na noite somente o vento gelado de inverno é a companhia. Seus olhos passam por árvores, carros passam indiferentes aos pedestres. Passos largos, respiração pesada, uma pequena garoa bate nas abas negras do chapéu. Sempre pensou em deixar de usar chapéu. Nunca teve coragem, não quer mostrar aquilo que o tempo impôs à ele.

A rua deserta, adentra uma praça. Cantarola uma melancólica melodia, anos de pensamentos inundam o transeunte. Apenas uma coisa em mente. Sobreviver.

Mas sobreviver à que? Já não sabia nada da vida. Tudo havia mudado em pouco tempo. Menos que 3 anos na verdade. Maquinas estavam tomando conta, ele não se adequara. Estava obsoleto, assim como maquinas também ficam. Andando ainda sem destino. Não sem destino, o destino é sua casa qe está muito longe. Quais pensamentos o atormentavam mais? Nem mesmo ele sabe. Tudo que pensa é em como passar sua vida daqui pra frente.

A alguns anos, uma guerra civil acabou com metade do seu pais. Não sabe como sobreviveu, apenas que era um dos ultimos sobreviventes daquele que foi o maior confronto da guerra. Sua cidade foi dizimada. Na época era apenas um moleque, e assim que chegaram as forças separatistas fugiu com a familia. A unica lembrança desse dia, foi um clarão. Logo depois um grande tremor na terra, como se um terremoto houvesse atingido o mundo. Depois disso, o silencio.

Uma bomba explodiu tão perto que ele não conseguiu ouvir a agonia de vozes. Tem até hoje a lembrança da luz branca. E percebe-se em meio a esta mesma cidade, ja parcialmente reconstruida. Lagrimas de anos chegam a seus olhos, mas logo são levadas pelas gotas da chuva. A praça está vazia a noite. Na verdade, nunca estava cheia como a tempos.

Passa pelo resto de um parquinho de diversões. Lembra-se de seu primeiro amor, declarado num desses parquinhos. Feliz sorri para a noite. Tira o chapéu, senta-se numa gangorra onde brincou ha muito tempo. Lembra-se de sua mulher, deve estar preocupada. Não está em casa a dias. Levanta-se e aperta o passo. Numa jornada sem volta. Voltando para seu lugar.

Apenas alguns metros. Quase corre com pressa, tira a chave do bolso, seu coração apertado e aflito. A luz está acesa. Abre a porta. Fecha-a, ninguem na sala. Ouve algum burburinho na cozinha. Vai olhar, de costas está a pessoa que compartilhou tudo com ele nos varios anos que se passaram. A quem ele devia boa parte de seu carater. E uma grande desculpa, uma desculpa por não ser melhor.

Lagrimas mais uma vez passam por seu rosto, olha novamente a cozinha, seus ladrilhos vermelhos no chão, parecidos com tijolos. O azul céu dos azulejos. Sorri em meio as lagrimas. Abraça aquela que não mediu esforços em aguentar as incertezas da vida juntamente com ele. Lagrimas se misturam de ambos. Trocam pequenas palavras de carinho e perdão. Sentam-se para conversar. Conversam muito tempo, afinal havia anos que não se falavam tanto, devido ao desgaste do relacionamento.

Ele toma banho, relaxante e acolhedor. Assim que sai, a cama está preparada para uma boa noite de sono. A primeira em algum tempo. A mulher espera, ansiosa por seu amor. Falam banalidades ja deitados. Apagam as luzes. Emoção estampada nos dois rostos. Dormem, dormem muito.

Dormem até a eternidade…

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